Degustando o verbo

Como dizer?

Não quero que o governo pense que sou rebelde entre os seus

Deu o que falar meu último post: “Cultura FM DF: rádio pública está sucateada e engessada“, porém, infelizmente, não repercutiu positivamente como eu gostaria. Apesar da linguagem que usei, que não foi “chula”, mas bem direta e ainda assim não alcancei meu objetivo. Em nenhum momento, quis atacar o governo do Agnelo, em quem acredito como governante e como pessoa. Muito menos os possíveis projetos do senhor secretário de Cultura, o poeta Pedro Tierra – que sem dúvidas é peça fundamental no movimento cultural da nossa capital. Mas, como ninguém é perfeito, me equivoquei com o uso da palavra “caca”, que foi interpretada como ataque ao governo. Usei essa palavra no intuito de apontar a “falha” que considerei na atitude descrita anteriormente. Me senti uma anarquista com alguns comentários que o post recebeu.

Sou esquerdista declarada! Assumida e não meço esforços para defendê-la como a mais apropriada em ideologia e atitude no real progresso do nosso país. E parafraseando o secretário de juventude da atual gestão, Fernando Neto – o qual tive o prazer de conhecer na própria Rádio Cultura – “eu sou nascida, criada e curtida na esquerda”. Logo, meu único objetivo quando aponto as falhas, sob meu ponto de vista, da atuação do governo, ainda mais da esquerda, é na expectativa que o próprio não deixe margem para ser acusado disso ou daquilo pela oposição.

Portanto, venho mais uma vez dizer que não compreendo e não acho que tenha sido a melhor forma de melhorar o serviço público a exoneração tão prematura dos funcionários comissionados da Rádio Cultura (para não entrar no mérito dos outros setores que também sofreram essa perda). Se a proposta é concurso público, eu aplaudo. Claro! Assim, nas transições de governo, como tem sido há décadas, a rádio não seria prejudicada. Se é a substituição de funcionários comissionados por outros comissionados de confiança da atual gestão, também compreendo e aceito. Entretanto, se as novas contratações só vierem a ocorrer mesmo em abril como anunciaram como previsão, por que fazer a evacuação da rádio com tanta antecedência? Fica inoperante só com os poucos funcionários efetivos que são apenas jornalistas e secretárias. Uma rádio precisa de operadores, locutores… sabe?! Essa gente que sabe lidar com os equipamentos, com o tempo, com tudo.

É só isso que não aceito e não entendo. Quanto ao ex-diretor, Marcos Pinheiro, mantenho meu respeito e admiração. Fez um belo trabalho à frente da rádio, assim como tem feito no comando do programa Cult 22 no ar há 19 anos na mesma. Aproveito para esclarecer que são injustas as acusações feitas contra ele. Afirmam que ele é o responsável pela “quizumba”. Tanto desse post, quanto do abaixo-assinado. Esse post foi escrito por mim, porque sou colaboradora voluntária da rádio e ouvinte. O fiz espontaneamente, como o faria por qualquer outra instituição que eu conhecesse bem e sentisse falta como tenho sentido da programação normal da Cultura FM. Já o abaixo assinado, como bem circula por aí assinado por Felipe CDC (fanzineiro, produtor musical e músico muito conhecido na cidade), que pede a recontratação de Marcos Pinheiro na vaga de diretor da rádio, só mostra que ele fez uma excelente gestão e que ganhou admiradores que voluntariamente pediram seu retorno. Não há nenhuma conspiração como andam dizendo. Marcos Pinheiro não fez nenhuma reivindicação à sua exoneração.

Marcos Pinheiro janeiro 14, 2011 às 2:36 pm

Jéssica e Juliana, agradeço as palavras elogiosas a mim e ao trabalho desenvolvido pela equipe da rádio nos últimos anos. Antes de funcionários ou colaboradores da Cultura FM, nós somos ouvintes e amamos aquilo tudo de coração. Isto é fato.

Assim como vocês, também fiquei triste e preocupado com os últimos acontecimentos, claro! Mas também acredito que se trata de uma situação contingencial, emergencial, que logo se resolverá com a contratação e/ou formação de uma nova equipe.

Infelizmente o núcleo base da rádio é composto por funcionários comissionados. E sempre que há troca de governo acontecem naturalmente as exonerações. Faz parte do processo. A Cultura FM acaba sendo prejudicada por estruturalmente ter poucos servidores de carreira. Não adianta ter só jornalistas, secretárias, pessoas do quadro administrativo sem locutores, operadores, programadores musicais, já que a rádio é composta pelo binômio “música e informação”.

Por isso, o concurso público, proposto pelo novo governo, é fundamental – mas precisa contemplar também funções específicas de rádio como as citadas acima. Isto daria mais estabilidade ao quadro de funcionários da emissora e impediria o que está acontecendo agora e em outras transições – no início de 2007, por exemplo, a rádio chegou a ficar dois meses sem qualquer funcionário!

Enfim, acho que o momento é de apaziguar os ânimos, ter paciência e aguardar o que vai rolar nas próximas semanas.

Abraços a todo(a)s!

No mais, eu só desejo, já que a decisão está tomada e registrada, que o governo realmente saiba o que está fazendo. Que continue sendo a minha esperança, assimo como a de muitos brasilienses, de um Distrito Federal realmente digno e exemplo para os estados brasileiros. Como ouvinte, só quero que a Cultura siga na mesma linha de qualidade da programação, que avance tecnologicamente nos estúdios e na transmissão e que tenha um quadro de funcionários estável para que não haja novas interrupções. Abraços aos envolvidos e aos que se interessaram pela causa. Acho que ela é de todos os brasilienses, assim como a rádio e a gestão. Por isso, temos direito e o dever de reclamar e apontar quando encontramos falhas. Isso é democracia de verdade.

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3 comentários em “Como dizer?

  1. Não sou de Brasília, nem tampouco ouvinte da rádio citada. Mas sou cidadão, acredito “nas” esquerdas e só posso dizer que me alegro sempre que vejo pontos de vista expressos, refutados, discutidos e analisados como aqui.
    ah! antes que possam dizer q apenas defendo a autora do post, quero dizer que conheço (“twiterment”)uma das donas do blog, a jéssica, por quem tenho o mais profundo respeito e admiração, mas nem isto contamina meu comentário, que é no sentido da continuação de uma das maiores contribuiçoes do pensamento de esquerda para o país: a discussão dentro da mais pura liberdade de expressão.
    Abraços.

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