Degustando o verbo

Discuti política com meu irmão mais novo….

Como tudo que é discutido entre a gente, o debate de ontem foi acirrado. Tema complicado, com muitas facetas e pontos de vista.  Mas aqui vou apontar apenas dois. O primeiro ponto de vista, o mais comum da população: nunca participa dos embates e das decisões, mas que sempre tem uma opinião formada quando chega as eleições. Aquele em que se enxerga a política como suja e baixa, generalizando a todo e qualquer político.

O outro ponto de vista, o meu. Que divaga na certeza e na dúvida por conviver com políticos e trabalhar em seu sistema. O ponto de vista de quem participa ativamente dos movimentos políticos, com um certo ar de desconfiança, mas convicta da plenitude do momento.

Até aceitei os argumentos dele, sabe, faz sentido em parte. “Não sei para onde vai tanto dinheiro. Pagamos impostos o tempo todo, é dinheiro demais para não se ver resultado algum. Sou a favor sim e é possível que o salário mínimo chegue a R$$2.500,00…” palavras do caçula aqui de casa. Os argumentos são válidos, mas a causa não. É verdade que pagamos absurdos de impostos e que arrecadamos muito dinheiro. Mas, não dá para chegar de hoje para amanhã aumentando o salário quatro vezes mais do que é. Nossa economia não se expande nessa velocidade. As pessoas esquecem que, ao aumentar o mínimo para este valor, não apenas as pessoas que recebem só o mínimo por mês serão beneficiadas, aquelas que recebem cinco, dez, quinze salários mínimos por mês também o serão. Daí, eu quero ver de onde vai sair tanto dinheiro para pagar essa gente. Além do mais, tem os aposentados – sem dúvidas, já contribuiram muito para o país – que recebem sem fazer gerar renda. Imagine um aposentado que recebe 10 salários mínimos por mês, algo em torno de R$5.100,00/mês, se o mínimo aumentar para este valor que pretendem aí certos candidatos, este aposentado que nada faz para gerar renda vai receber R$25.000,00/mês. É justo isso? É possível? É cabível? Creio que não.

Outra coisa que o meu querido irmão argumentou – é o tipo de argumento que eu adoro derrubar – “vou pegar os Estados Unidos como exemplo. Lá, as pessoas pagam bem menos impostos. O salário rende muito mais. Quando elas vão comprar alguma coisa, não precisam investir muito dinheiro…” Gosto quando fazem esse tipo de comparação, porque sempre colocam a culpa no Governo que só aumenta os impostos e tralálá. Mas, convenhamos, é esse mesmo governo que luta lá fora para que os nossos produtos sejam consumidos por esses países de economia mais forte. E são esses países admirados por muitos daqui, que fomentam o capitalismo selvagem fazendo com que os pequenos sejam para sempre pequenos. Quem entende um pouquinho de economia globalizada, sabe o quanto é difícil, burocrático e obrigatoriamente diplomático esse movimento de inserir produtos de países de terceiro mundo e emergentes em países desenvolvidos. A gente admirando aqui, e eles dificultando a nossa vida lá. Seus tolinhos!

O salário tem que aumentar no mesmo ritmo que a nossa economia conseguir crescer. Não pode ser assim, d’uma hora para outra. São processos políticos, econômicos e sociais que se interligam e  fazem com que os efeitos sejam sentidos por nós, reles mortais. E se pararmos para pensar – olhando pelo coletivo, sempre – e analisar tudo o que foi feito nos últimos oito anos de governo Lula, poderemos perceber que houve essas interligações entre os processos e que muita coisa melhorou para cada um dos brasileiros. Não chegamos a perfeição, evidente – aliás, nenhum país é perfeito – mas caminhamos agora para um futuro bem melhor. Já demos passos largos e satisfatorios, e acredito que continuaremos nesse caminho com Dilma. É continuidade. Creia!

E quanto ao meu irmão, acho que ele ainda vai ter que melhorar um pouco mais. Apesar da oratória quase sempre convincente, não dou créditos a quem tenha 18 anos ou mais, mas não se movimentou para tirar seu título de eleitor. Eu tenho o meu desde os 16 e antes da possibilidade da carteira de motorista, esse era o documento que eu mais ansiava tirar.

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2 comentários em “Discuti política com meu irmão mais novo….

  1. Eu acredito que hoje dá para se entender política melhor que em tempos passados, a internet facilitou isso bastante. Quem entende um pouquinho de economia sabe também que aumentar o salário a este patamar, se preparar o país irá aumentar a inflação e muito. Felizmente vejo que o país está muito mais lúcido para melhorias políticas que jamais esteve, vejo que a maioria da população, ao menos nestas eleições, sabe que qualquer escolha é melhor que a “direita declarada”. Discussões neste sentido são legais, pois as ideias se confrontam e todo mundo sai com novas perspectivas.

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