Degustando o verbo

O dispositivo que manipula o resultado: estatisticamente falando

Sou jornalista e como tal, sei como funcionam certas ferramentas usadas na construção de conteúdos. Portanto, acredito – me desculpem se assim não o for – que posso dizer com propriedade que não há nada mais manipulador do que as estatísticas. Sejam para o bem – se é que pode dizer que manipulação, por qualquer motivo que seja, é algo positivo -, sejam para o mal.

A verdade é que os números transmitem uma idéia de algo definido, concreto, mas que na verdade é como uma gota d’água do oceano: está misturada à água, faz parte dela, mas que segue, ora o rumo da “água toda”, ora o rumo que bem entender.

Conotações infames à parte, a opinião pública não pode ser vista somente pelos números, porque, por mais que eles existam, não correspondem a todas as pessoas. Dentro de um mesmo grupo social, podem haver outros grupos com opiniões diferentes a respeito do mesmo objeto.

Imagine a seguinte situação:

Uma turma com 45 estudantes precisa definir quem será o seu representante. Três alunos se apresentam como dispostos a assumir a função. Henrique é carismático, já fez amizade com todo mundo da sala; Helena é um pouco tímida, mas muito estudiosa, demonstra responsabilidade e Heverton é um pouco dos dois, carismático e responsável.

Diminuindo do número total da turma os candidatos à função de representante, sobram 42 para votar. Mas, como o processo se deu na aula sobre Opinião Pública, o professor pede que primeiro, seja feita uma pesquisa de amostragem, elegendo dois voluntários para tal atribuição.

O processo estabelecido pelo professor pede que cada aluno designado para fazê-la escolha cinco alunos cada um para responder à pesquisa. Um dos alunos, escolheu pelos que estavam sentados mais próximos a ele. O outro pegou um em cada canto da sala.

O resultado da pesquisa foi: 40% (4 votos) Helena; Henrique (3 votos) 30%; Heverton (2 votos) 20%. Feita a pesquisa, o resultado não foi passado aos alunos que não participaram do processo.

Encaminhou-se, então a votação, que obteve o seguinte resultado: Henrique (28 votos), Heverton (22 votos) e Helena (8 votos). Como pode, o resultado final ser tão diferente do parcial (aquele, apontado na pesquisa)? É simples, quando o estudante escolheu para responder à pesquisa aqueles colegas que estavam sentados próximos, acabou selecionando um grupo que já mantinha certa amizade com Helena por sentar-se próxima a ela também. Já o outro abriu o leque, evitando não dando brecha aos “laços de amizade”.

A amostragem diz a opinião da maioria, não de todos. E é nessa hora, que o resultado das pesquisas pode ser bem diferente do que vai ser apontado pela opinião pública quando ela for vista como um todo.

Imaginou? Agora realiza…

E não há exemplo melhor disso do que as Eleições Políticas. Os institutos de pesquisa podem, muito bem, manipular o resultado delas sem mentir em anda. Se por exemplo, o IBOPE for fazer a medição das intenções de votos para Presidente da República entre Dilma e Serra e decidir pela seguinte amostragem: 260 eleitores no estado de São Paulo e dois nas demais unidades da Federação. Qual será o resultado da pesquisa realizada com 520 eleitores?Muito provavelmente, Serra, por ser ex-governador de São Paulo, obterá quase que totalmente as intenções de voto neste estado e ainda poderá obter ainda mais em outros.

A pesquisa, não vai mentir quando disser que 370 eleitores tem intenção de votar em Serra ao passo que apenas 150 demonstram eleger Dilma. A pesquisa não alterou informações, mas foi feita de forma para que se chegasse a esse resultado.

Aí, sabe como é, vai lá o eleitor que não sabe em quem votar, que não tem paciência para os discursos políticos e acaba votando igual a “maioria” segundo a pesquisa. “Aonde a vaca vai, o boi vai atrás”.

No fim das contas, a mídia acaba usando essas pesquisas encomendadas para manobrar a opinião de você, querido leitor, eleitor. Não somente na questão política em época de campanha, mas ao longo do governo também. Por isso não vale à pena crer nos números somente, é preciso buscar resultados concretos e palpáveis.

E só para terminar, não voto nulo #porra!

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