Degustando o verbo

Dai a César o que é de César – reflexões #blogprog

Chegou ao fim o I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. O resultado foi super positivo. Os temas debatidos são de muita importância para o fortalecimento da blogosfera e pela continuidade de interesses levantados para que mais pessoas façam parte dela. Porém, entre esses temas, tem um que me chama mais a atenção por sua proximidade com minha realidade: o jornalismo factual feito em blogs.

Muito foi falado a respeito, até mesmo porquê havia muitos jornalistas presentes no Encontro como Paulo Henrique Amorin, Luiz Carlos Azenha dentre outros. Não é a simples forma de escrever bem – que é o mínimo que se espera de um jornalista – que buscam de jornalistas blogueiros. Pede-se também o factual, a informação dada no formato convencional do lead: quem? o que? Onde? Quando? Por que?

Aliás, em um dos debates, uma jornalista sugeriu que todo e qualquer blogueiro faça esse tipo de transferência de informação. Mas, pera lá! Se for assim, o blog perde a essência. Não se pode exigir que as informações passadas pelos blogueiros sejam exatamente iguais as passadas pelos veículos de comunicação tradicionais. Porque, muitas vezes, os blogs tornam-se espaços expositivos das opiniões pessoais de cada jornalista – para não generalizar os blogueiros – que não tem esse espaço nos veículos onde trabalham, como se fosse uma extensão do seu direito de liberdade de expressão.

É como eu conversava com o Diego Centeno da TV Software Livre, muitas das informações, ainda que carregadas de opinião, são muito mais válidas do que as ditas imparciais, factuais e tralálá. Isso, porque não há imparcialidade nessa profissão nem aqui, nem na China. O que os jornalistas escrevem vai ser sempre fruto dos veículos em que eles tiram seu ganha-pão. Taí, outro ponto que gostaria de discutir: o ganha pão desses profissionais.

Sou super a favor da blogosfera, do fortalecimento da mesma. Não é a toa que tenho meu blog e fui participar desse encontro. Mas, não dá para confundir as coisas. Pela primeira vez, ouvi um argumento relevante sobre a não exigibilidade do diploma para exercício do Jornalismo. O argumento foi do militante em rádios livres e amigo Emerson Luís. Disse ele: “a faculdade de Jornalismo surgiu com a Ditadura Militar que queria, assim, evitar que entrassem nas redações pessoas contra o regime. A ditadura acabou e exigibilidade ficou e os jornalistas tomam isso pra si”. Faz sentido e concordo com ele em partes. Mas, convenhamos que, naqueles tempos, o Jornalismo tinha uma função brilhante na sociedade informar e mobilizar, hoje está mais para informar e alienar. É uma excelente manobra para arrebanhar pessoas para determinadas opiniões.

Onde eu quero chegar com isso? Apesar da mal aplicabilidade da imprensa convencional, ainda há alguns resquícios da essência jornalística, não são todos os veículos que se mantém por meio da sua opinião camuflada em entrelinhas, convencendo à população a crer em certas coisas e fechar os olhos para outras. Até porquê – às vezes uma coisa puxa a outra e eu não consigo parar de falar, desculpa – eu acredito que se os veículos estamparem sua parcialidade fica muito mais simples e honesto para todos. Já que todos são parciais, deixem claras suas opiniões, assim se informarão por ele aqueles que seguem à mesma linha de raciocínio. Voltando!!! As mídias alternativas aos grandes oligopólios da informação, apesar do formato convencional de jornalismo, são ainda alternativa. Alternativa no sentindo de escape do mais do mesmo, alternativa para quem pensa diferente.

Não se pode excluir o papel do jornalista na sociedade por meio dos blogs. Ainda terão de existir veículos nos formatos tradicionais, querendo ou não, são esses que possuem estrutura pronta para realizar apuração de notícias e transmissão factual. Se migrarmos esse modelo para os blogs, podem aí surgir muito mais falhas nessa comunicação. Porque o receptor vai estar atrelado, da mesma forma que já está aos meios de comunicação tradicionais, ao não perceber nas entrelinhas a opinião mantida naquele conteúdo. Até porquê, essas entrelinhas podem ser perigosas, com informações comprometedoras e erroneas e não poderá se cobrar credibilidade se a pessoa não for instruída para prestá-la. E pasmem: quando os blogs se tornarem espaço jornalísticos em um todo, a informação será cobrada mais cara ainda.

Deixem aos blogs o poder que eles já possuem: a livre comunicação, no seu formato informativo, opinativo ou factual, desde que não se estabeleça sobre ele um modelo único já existentes nos meios de comunicação tradicionais. Porque se assim o for, a percepção de credibilidade será menor e o fechamento das funções dos meios de comunicação tradicionais vai fazer com que eles migrem para a internet. Nada mudará! Deixem que o público pelo menos na internet acesse o conteúdo sabendo que ele está acessando algo de Direita ou de Esquerda. Deixem que os jornalistas façam o seu trabalho. Qualquer hora dessas, a transmissão de informações será feita de forma limpa, mesmo pelos oligopólios de comunicação. #oremos

No mais, quero agradecer a oportunidade de ter participado de um evento tão rico como foi esse Encontro. Pude refletir e aprender muitas coisas, fora ter conhecido pessoas importantes como Paulo Henrique Amorin, Luiz Carlos Azenha, Conceição Oliveira, Conceição Lemes, Eduardo Guimarães, Renato Rovai, José de Abreu e tantos outros. E a indispensável companhia de Guto Carvalho, Carine Roos, Emerson Luís e Diego Centeno.

Fora tudo isso, desculpem o raciocínio perdido. É muita vontade de falar muitas coisas… As poucos vou distribuindo as pautas pelo Lambujja.

Escrito no avião, publicado em terra firme. Qualquer erro de digitação ou português não é mera coincidência.

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