Degustando o verbo

Seu Braz – dia dos pais

Galerinha do bem, neste domingo é comemorado – como todos os anos – o dia dos pais. Longe das atribuições capitalistas, mercadológicas e comerciais da ocasião, acho uma oportunidade bacana para demonstrar o meu amor ao meu coroa.

Seu Braz no auge dos seus setenta anos de idade é uma figuraça. Sempre que vamos a algum lugar juntos seja shopping, dentista, mecânico, padaria, qualquer lugar, ele faz amizade com os funcionários. Meu ursinho pimpão! Sabe aquele cara sarcástico que sempre tem uma piadinha para zombar de você, mesmo quando estão todos em apuros? Esse é meu pai.

Muito astuto também. Se vocês pudessem ver as coisas que ele inventa, que ele cria. Lá em casa tem prova disso para todo lado, a escada, o jardim de inverno na sala de jantar, a casa toda, aliás. Meu irmão mais novo que o diga! Meu pai fez um case para a guitarra dele sem nunca ter visto um na vida. Ficou perfeito!

Meu pai é também uma enciclopédia ambulante. Vira e mexe, ele vem com aquelas perguntas “você sabe o que é um pórfiro?” se responder que não, lá vem o discurso: como uma jornalista não sabe o que é um pórfiro? Essa é a hora que eu saio de cena enfezada porque não respondi ao meu pai.

Lá vem seu Braz explicar o que é um pórfiro e rir da minha cara. Um figura! Uma pessoa surpreendente. Às vezes eu espero tão pouco dele e ele sempre com muito a me oferecer. Irredutível certas vezes, mas muito compreensível quando necessário.

Não sei dizer se a cada dia ele tem se tornado uma pessoa mais amável ou se eu, a cada dia, tenho dado espaço para reconhecer a forma que ele tem de expressar o seu amor. Sempre tão carinhoso, divertido, prestativo. Um anjo! Mesmo quando nos desentendemos, em poucos minutos – ou em poucos dias – já estamos às favas de novo.

Adoro quando ele me liga no meio do expediente para me perguntar coisas do tipo “você já levou um ximboré na xinxa?”. Oi, como assim, seu Braz? Um fanfarrão! Um grande amigo! Uma pessoa que tem força de vontade e muita história para contar. Histórias das quais me orgulho. Porque apesar de tudo o que ele sofreu ao longo da vida, sempre foi um pai amoroso, plantando sementinhas de amor no coração de cada filho.

Quando ainda era criança, meu pai me ensinou que o que vale nessa vida é demonstrar às pessoas que você ama este nobre sentimento que é o amor. “Teka, já disse que te amo hoje?” Tenho certeza que essa pergunta me fez uma pessoa mais sensível às demonstrações de afeto às pessoas que amo.

É isso, seu Braz, meu herói, meu amigo, meu orgulho, meu pai! Desejo que possa compartilhar por muitos anos dos seus bolos de chocolate, dos seus “macaquitos” (massa de panqueca de chocolate recheada com banana), das suas invenções criativas, da sua astúcia adquirida, das suas piadas infames, das suas gargalhadas incontroláveis, do seu abraço afetuoso e de suas palavras de amor e carinho. Amo você, seu Braz!

Espero que todos possam ter a mesma oportunidade que eu de demonstrar, mesmo com gestos simples, o amor que sente pela figura do seu pai. Aos filhos que já perderam seu pai, aos filhos que nunca tiveram um, aos filhos que a mãe foi o pai, aos filhos eu desejo que estes possam ser pais um dia, que consigam demonstrar seu amor ao seu filho para que ele reconheça em você a vontade de ser pai um dia.

Bom domingo!

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