Prosa e outras autorias

A MENINA E O VENTO (conto)

Catatônica! Sentada ao canto da varanda do primeiro andar, ela olhava com profundidade o movimento leve dos galhos de uma Ipê quase secos por completo. Seus olhos negros saltavam da face tamanho era o contraste com a sua pele branca. Ela nem piscava!

Suspirou mais fundo. Um suspiro de satisfação com toda aquela situação paralela que vivia. O vento tocava aquela árvore como se a quisesse para si, pensava a pequena quieta. Aos poucos as folhinhas mais secas caiam e seguiam o mesmo destino do vento.

Ela se imaginava aquela árvore, tocada com desejo pelo vento. Carícias sutis de quem quer mesmo provocar e ver o retorcer do corpo nas vibrações trêmulas que saltam à pele. Ela queria, mas o vento não a quis.

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Um comentário em “A MENINA E O VENTO (conto)

  1. “Ela se imaginava aquela árvore, tocada com desejo pelo vento. Carícias sutis de quem quer mesmo provocar e ver o retorcer do corpo nas vibrações trêmulas que saltam à pele. Ela queria, mas o vento não a quis.”

    O bom do conto é que ele é sempre atemporal.

    Às vezes o vento ou uma brisa não toquem com tanto desejo quanto a menina achava. Porque, em verdade, a brisa é fresca e prima do vento, que é gay.

    Talvez a menina precise de um furacão. Sem sutileza, mas que ao longe já mostre que irá arrancar todas as folhas e que a árvore não tem escapatória. =)

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