Degustando o verbo

Fábrica de Felicidade

Fábrica da Felicidade em Degustando o verbo de 28 de julho de 2008

Hoje pela manhã, no caminho para o trabalho, cruzei com um caminhão de entregas da Coca-Cola. Bem típico da marca, vermelho, compacto, com a carroceria bem decorada com imagens temáticas. O que me chamou atenção para este caminhão foi um slogan bem grande que fazia parte das belas figuras que o decoravam, que dizia: “Fábrica de Felicidade”.

O slogan associado aos desenhos, formava uma hipótese bem interessante. Seriam todos os consumidores de Coca-Cola felizes? Imaginei ainda que, sendo uma multinacional, ela seria a promotora dos sorrisos em todo o mundo. Uma excelente arma contra a tristeza e a miséria, já que se ela promove alegria e como diz o Mano Brown dos Racionais “miséria traz tristeza e vice-versa” na música Vida Loka parte II, acabando com a tristeza não haverá mais miséria. Bendita seja a Coca-Cola!

Seguindo o meu trajeto, a pé, me deparei com uma cena muito triste. Um menor de rua descalço, sujo e mal vestido, sentado no chão do mesmo estacionamento onde vi o caminhão da Coca-Cola, com uma garrafa pet da mesma marca contendo loló. Esse pequeno ser já tão inebriado nem notou que eu o olhava fixamente.

Duas imagens tão correlacionadas ao mesmo passo que distintas. A Coca-Cola não é a fábrica da felicidade? Por que ela abandonou aquela criatura com os seus restos de felicidade? Restos que só levam ao fundo do poço. Então me lembrei o porquê das multinacionais se darem tão bem em países emergentes como o nosso ou a África. Simplesmente, porque é mais fácil embriagar com suposições de felicidades as pessoas que não possuem estrutura emocional devido a sua colocação social.

Foi o retrato mais concreto da realidade que já vi. Enquanto poucos obtêm sua felicidade através da fraqueza dos outros, a maioria se deixa manipular por frases bem ilustradas e estampadas por todos os lados. Deixando de enxergar o que é verdadeiramente importante, como a situação das nossas crianças hoje. Largadas e envolvidas com uma das partes podres da sociedade.

Jéssica M Macêdo

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